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Google Health: o Motor de Busca dos Médicos


Ericelmo Augusto - 17/12/2019 - 0 comentários

Hoje em dia estamos habituados a utilizar o Google para esclarecer todo o tipo de dúvidas sobre saúde. Seja qual forem os teus sintomas, ou doença, muito provavelmente vais encontrar uma resposta detalhada neste motor de busca. Foi pensando na necessidade dos médicos de centralizar e otimizar os dados clínicos dos utentes que surge o Google Health.

Para os profissionais de saúde – enfermeiros, auxiliares de saúde, entre outros – a organização da informação dos pacientes é vital. O objetivo é o médico poder facilmente consultar dados como receita médica, exames, intervenção cirúrgica, etc.

Porque razão isto é relevante?

doutor segurando registro médico

Image by valelopardo from Pixabay

Cada paciente (ou seja, cliente) é um caso individual e, por isso, merece receber um tratamento personalizado. Além do mais, o estado clínico do paciente evolui ao longo do tempo. Este altera o seu estilo de vida e consequentemente o seu estado de saúde.

Como em qualquer negócio, precisa-se criar a base de dados dos clientes. A norma é digitalizar as informações do cliente mas ainda se verifica muitos negócios que mantêm o histórico do cliente nos seus servidores internos ou (pior) ficheiros em papel.

Todos nós sabemos o quanto é cómodo o serviço na cloud. A nossa localização é indiferente. E quando se trata de saúde, a agilidade em aceder à ficha do paciente pode ser um caso de vida ou morte.

E quanto a privacidade?

televisão mostrando homem usando binóculos

Photo by Glen Carrie on Unsplash – television showing man using binoculars

Embora aguardamos a estreia desta solução, sempre podemos questionar o modelo de negócio (será que haverá anúncios?) e, especialmente, a privacidade do utente.

A gente não se importa em comunicar as nossas preocupações à Google, na verdade estamos habituados, porém partilhar especificidades do nosso bem-estar é um tópico completamente diferente.

O registo constante de métricas pessoais como peso, frequência cardíaca e hábitos de sono tornou-se banal. Basicamente, temos vindo a usar dispositivos móveis, como smartbands e smartwatches, para regularmente registar os sinais vitais.

Pergunta: aceitarias partilhar a tua prescrição médica com a Google? Ou o histórico clínico dos teus filhos?

Neste caso em particular a decisão cabe à tua instituição de saúde.

Tu, o utente, dificilmente vais conseguir intervir na comercialização da tua própria informação. Aliás, muitas vezes és obrigado a consentir com esta prática.

O que dizem os media?

homem negro segurando jornal de negócios

person-holding-white-and-blue-business-paper_Photo by nappy from Pexels

Recentemente em Novembro veio a público o Project Nightingale – uma parceria entre a Google e a Ascension. Esta última é uma organização sem fins lucrativos com mais de 2.500 unidades hospitalares e considerada o segundo maior sistema de saúde nos EUA.

Segundo o Wall Street Journal, esta parceria iniciou em 2018 e só recentemente os colaboradores da Ascension tomaram conhecimento.

Entretanto, a Google responde que isto foi comunicado no relatório de resultados do 2° trimestre de 2019 e que inclusivamente possui projetos similares com outras instituições do ramo da saúde. A detentora do Android acrescenta que o seu papel é fornecer o serviço de cloud computing. Sendo os parceiros (clientes) os únicos com autorização para aceder os dados.

E segundo o Financial Times, outra situação que está levantar preocupações é a intenção de compra da Fitbit – marca de fitness wearable com 27 milhões de utilizadores – num negócio avaliado em 2,1 mil milhões USD.

De acordo com o jornal, os reguladores americanos temem a expansão do monopólio que a Google já possui no setor tecnológico. A aquisição da Fitbit também é vista como um meio de competir com o Apple Watch.

O que podemos esperar do futuro?

robô branco perto de uma parede castanha

Photo by Alex Knight on Unsplash – white robot near brown wall

Tudo isto torna-se ainda mais interesse quando comparamos os volumes de pesquisa das palavras “saúde” e “amor” nos últimos 12 meses. Podemos verificar no Google Trends que tanto em Portugal como nos EUA as palavras são equiparáveis em termos de volume de pesquisa.

Falando de Portugal, nos últimos 10 anos a despesa anual em saúde situou-se entre 9% à 10% do PIB.

A expetativa é o aumento desta despesa nos próximos anos pois a população está cada vez mais envelhecida – em 2018 constatou-se 157 idosos por cada 100 jovens – e o povo exige melhores condições.

Em suma, o Google Health é um CRM apoiado por Inteligência Artificial criado para médicos. Dada a magnitude da empresa californiana, embora o produto ainda se encontra em fase de desenvolvimento, as expetativas são altas.

Outras grandes empresas, Amazon e Apple, também têm vindo a investir no setor. Desta forma, resta-nos aguardar o lançamento do produto e ver como a concorrência vai reagir.

 

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